27 de May de 2019


Após dois anos, mercado de trabalho formal volta a crescer

Em fevereiro, foram criados 35,6 mil postos.

Por: Carlos Cavalcanti
17/03/2017 às 13h59

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Após duas reduções consecutivas da taxa Selic, ótimo desempenho da balança comercial no primeiro trimestre do ano e suave melhora nos números da indústria de transformação, o resultado pontual do emprego em fevereiro serviu para iluminar a possibilidade de uma recuperação mais célere da economia. No mesmo dia da divulgação do Caged, foram apresentados pela FGV os resultados dos Indicadores Antecedente         (+ 1,0%) e Coincidente (+ 0,4%) da Economia para o mês em tela, com ambos indicando uma modesta e ainda instável retomada do nível de atividade.

Em fevereiro foram criados 35,6 mil empregos formais, o que não ocorria desde março de 2015. O resultado, fruto da diferença entre 1.251 mil contratações e 1.215 mil desligamentos, equivale à variação positiva de 0,09% do estoque de emprego do mês anterior. No acumulado dos dois primeiros meses do ano, foi registrada queda de 5,5 mil postos de trabalho, por causa do saldo de 40,9 mil demissões ocorridas em janeiro. Nos últimos doze meses, houve a diminuição de 1.148 mil vagas, correspondendo à retração de 2,91% no contingente de empregados celetistas do país.

A construção civil e o comércio prosseguiram eliminando postos de trabalho, embora em menor intensidade. No primeiro caso, houve a dispensa de 12,9 mil trabalhadores e no segundo, de 21,2 mil. Por sua vez, voltaram a absorver novos trabalhadores o setor de serviços, com 50,6 mil; a administração pública, 8,3 mil; a agricultura, 6,2 mil e a indústria de transformação, 3,9 mil.

Em que pese o fato de que as contratações em serviços e na administração pública estiveram concentradas na área de educação, o que não se reproduzirá nos próximos meses, é necessário sublinhar que a queda nos demais subsetores de serviços foi menos intensa do que em igual período do ano passado. Em fevereiro de 2016, o saldo dos empregos nas atividades ligadas aos serviços foi negativo em 9,2 mil.

A expansão na Agricultura (+ 6,2 mil) reverteu a tendência de queda verificada em igual período do ano anterior, o mesmo ocorrendo com a indústria de transformação, cuja expansão foi marcada por um número maior de contratações nos segmentos de calçados (+ 8,8 mil); têxtil, vestuário e artefatos de tecidos (+ 6,2 mil); e borracha, fumo, couros, peles, similares e indústrias diversas (+ 5,0 mil).

O resultado em um único mês não é suficiente para apontar novas tendências, mas dá indícios de que o setor formal da economia deverá, de maneira lenta e progressiva, estabilizar-se em 2017. De todo modo, o mercado de trabalho será o último a reagir à crise, como já havíamos mencionado neste espaço em outros momentos.

Economista com pós-graduação pela Unicamp. Foi responsável pela área de economia do CIESP (2005-2007) e assessor da Presidência da ABINEE entre 2007 e 2016. Atualmente dirige a assessoria de economia do Sindipeças e é colaborador do EH.

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