24 de Jul de 2017


Ata do COPOM confirma ritmo mais intenso na queda dos juros

Extensão do ciclo depende de reformas em curso

Por: Marcos Henrique
18/04/2017 às 19h13

 

 

Após a redução da taxa Selic para 11,25% a.a., a Ata do COPOM divulgada hoje reforça a perspectiva de continuidade do atual ciclo de afrouxamento da política monetária. Há unanimidade do comitê quanto à estabilização da atividade econômica e melhora da perspectiva de retomada em relação à última reunião. No entanto, a recuperação deverá ocorrer de maneira gradual ao longo do ano e a ociosidade da economia brasileira é uma das principais razões para cautela.

Em relação à percepção de riscos, o comitê avalia que o cenário externo ainda é componente relevante de preocupação. A incerteza acerca do crescimento global, a política econômica nos EUA, os preços de commodities e os rumos da economia chinesa, estão entre os fatores mais importantes. Avaliam, porém, que o Brasil tem maior capacidade de absorção dos choques externos no atual momento, devido ao progresso desinflacionário e ancoragem das expectativas.

Ao adotar o cenário da Pesquisa Focus como referência para taxa de câmbio no final de 2017 em R$ 3,23 / US$ e R$ 3,37 / US$ para 2018; e juros de 8,5% a.a. nos dois períodos, a expectativa do COPOM para inflação reduziu-se para 4,1% neste ano em relação à última ata e se manteve em 4,5% para o próximo. Quanto aos riscos desse cenário, destaca-se que as reformas fiscais ora em curso são fundamentais para manutenção do processo de desinflação. Além disso, a baixa dos preços de alimentos pode trazer efeitos secundários sobre outros setores, produzindo quedas adicionais na inflação.

O ponto mais importante em discussão na ata, sem dúvida, foi a interpretação quanto ao ritmo de queda da taxa de juros. Segundo o COPOM, “a evolução da conjuntura econômica já permitiria uma intensificação do ritmo de flexibilização monetária maior do que a decidida nessa reunião” (p.4). Porém, o caráter “prospectivo” de condução da política monetária, a incerteza e os riscos tornam mais adequada a manutenção do atual ritmo. Nesse sentido fica evidente que, embora necessária uma queda mais acentuada da taxa Selic, pode-se esperar nova redução de 1 ponto percentual para próxima reunião, agendada para os dias 30 e 31 de maio.

Economista e mestre em economia política pela PUC-SP. Tem experiência na área de economia política, atuando principalmente nos seguintes temas: seguridade social, políticas sociais, capitalismo financeirizado e economia brasileira contemporânea. Atuou em consultorias na área macroeconômica e ligadas a projetos de PPPs.

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