24 de Nov de 2017


Comércio varejista ainda patina

Em março, as vendas no varejo caíram 1,9%.

Por: Carlos Cavalcanti
11/05/2017 às 17h33

Ainda fortemente pressionado pelo elevado patamar de desemprego, comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas e restrições na oferta de crédito, o comércio varejista apresentou contração das vendas (- 1,9%) na passagem de fevereiro para março, livre de influências sazonais. Foi o segundo mês consecutivo de queda.

Na comparação com março de 2016, houve redução de 4,0% no volume de vendas. Desse modo, no primeiro trimestre do ano o resultado ficou 3,0% abaixo daquele observado em igual período do ano anterior, mas registrou avanço de 3,3% em comparação ao último trimestre de 2016. Essa foi a boa novidade trazida, uma vez que tal desempenho positivo não era visto desde o último trimestre de 2014.

Dos oito segmentos pesquisados, quatro contribuíram para a queda em março:  1º) Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (- 6,2%); 2º) Tecidos, vestuário e calçados (- 1,0%); 3º) Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (- 0,5%) e Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, (- 0,5%).

Por sua vez, os segmentos que mostraram avanço foram: 1º) Móveis e eletrodomésticos (6,1%); Livros, jornais, revistas e papelarias (5,6%); Combustíveis e lubrificantes (1,1%) e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (0,9%).

O varejo ampliado, que inclui Veículos, motos, partes e peças e Material de Construção, apresentou queda de 2,0% na margem, após quatro meses consecutivos de taxas positivas. Para as demais bases de comparação, observaram-se retrações de 2,7% frente a março/16, de 2,5% no ano e de 7,1% nos últimos doze meses.

Semelhante ao caso do comércio restrito, a taxa trimestral do varejo ampliado também subiu 3,1% em comparação ao trimestre de outubro a dezembro de 2016, sendo que havia caído 0,4% na passagem do terceiro para o quarto trimestre do ano passado.

Feitas as considerações sobre o desempenho do varejo brasileiro, é importante ressaltar a lenta resposta que a atividade econômica vem dando aos estímulos gerados pela política monetária (leia-se queda de juros). A variação acumulada em 12 meses das atividades da indústria mostra recuperação mais firme, enquanto comércio e serviços apresentam quedas menos acentuadas, certamente induzidas pelo aumento das exportações, uma incipiente resposta das outras atividades que estão sujeitas à expansão do mercado interno.

Juros menores e destravamento do crédito são necessários para que uma retomada que abranja todos os setores se imponha.

Economista com pós-graduação pela Unicamp. Foi responsável pela área de economia do CIESP (2005-2007) e assessor da Presidência da ABINEE entre 2007 e 2016. Atualmente dirige a assessoria de economia do Sindipeças e é colaborador do EH.

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