16 de Dec de 2017


Contas externas com bom desempenho

Um alento diante da recessão.

Por: Marcos Henrique
27/03/2017 às 15h21

 

 

As transações correntes registraram déficit de US$ 935 milhões em fevereiro, acumulando saldo negativo de US$ 22,8 bilhões nos últimos 12 meses, o que equivale a 1,24% do PIB. Convém lembrar que o déficit em transações correntes atingiu 4,17% do PIB (US$ 90,9 bilhões) em 2014, oferecendo-se como uma grave ameaça ao equilíbrio das contas externas do país.

O resultado em fevereiro foi 51% menor do que o apresentado no mesmo mês no ano passado e influenciado, em grande medida, pelo saldo recorde da balança comercial, o que destaca a contínua melhora das contas externas desde o início da recessão (ver gráfico).

Na conta financeira, o superávit no mês passado foi de US$ 5,3 bilhões e, em 12 meses, o saldo foi positivo em US$ 84,4 bilhões ou, 4,6% do PIB. Nesse caso, as entradas de investimentos direto no país foram expressivamente superiores ao déficit em conta corrente, o que cobre, com folga, o saldo negativo.

A conta de serviços e rendas, porém, apresentou déficit de US$ 2,4 bilhões, um aumento expressivo de 25,8% em comparação a fevereiro de 2016. Nessa conta, as despesas líquidas com viagens atingiram US$ 824 milhões, cifra 240% superior ao mesmo período do ano anterior. Sobre esse aspecto, a nota do Banco Central observa o expressivo aumento de despesas brutas relacionadas. Além disso, destaca-se a valorização nominal da taxa de câmbio no mês de fevereiro, em média de 22%, frente ao mesmo mês do ano anterior (conforme nota no EH) contribuiu para o aumento de 62% dos gastos dos brasileiros lá fora.

Nesse sentido, em que pese à recessão pela qual passa o país, mesmo com a melhora de alguns indicadores na margem, é possível dizer que as contas externas têm representado um alento importante, evitando-se, assim, uma piora da crise. O que traz preocupação no curto prazo, entretanto, é a valorização da moeda brasileira, ainda que os EUA tenham dado sinais de moderação no aperto monetário. Tal valorização pode contribuir negativamente para o desempenho da balança comercial, influenciando um componente da demanda fragilizado após as recentes operações no setor de proteína animal.

Economista e mestre em economia política pela PUC-SP. Tem experiência na área de economia política, atuando principalmente nos seguintes temas: seguridade social, políticas sociais, capitalismo financeirizado e economia brasileira contemporânea. Atuou em consultorias na área macroeconômica e ligadas a projetos de PPPs.

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