24 de Jul de 2017


Déficit público em 2016: o pior de toda a série histórica

Déficit primário representou 2,47% do PIB.

Por: Carlos Cavalcanti
01/02/2017 às 17h58

Em dezembro, os entes da Federação (União, Estados e municípios) e as empresas estatais registraram o déficit primário de R$ 70,7 bilhões. Isoladamente, o governo central apresentou o gigantesco rombo de R$ 64,2 bilhões, para o cálculo abaixo da linha (Bacen). No resultado “acima da linha” (Relatório da STN), por sua vez, houve a contabilização de uma necessidade de financiamento do setor público de R$ 60,1 bilhões, devido à expansão de pagamentos com benefícios previdenciários, sentenças judiciais e precatórios e demais despesas discricionárias do Poder Executivo.

Acompanhando a deterioração das contas públicas, os governos subnacionais e as empresas estatais incorreram em um saldo negativo de R$ 6,1 bilhões e R$ 422,0 milhões, respectivamente.

No ano passado, o déficit do setor público consolidado foi de R$ 155,8 bilhões (2,47% do PIB), superando o de 2015, que totalizou R$ 111,2 bilhões (1,85% do PIB), calculado em 2015. Apesar desse grande desequilíbrio, trata-se de um resultado melhor do que o estabelecido oficialmente para o exercício (R$ 170,5 bilhões).

O pagamento de juros nominais significou um dos principais vilões do desajuste das contas públicas no ano passado, que somou R$ 407,0 bilhões (6,5% do PIB), contribuindo decisivamente para que o resultado nominal do setor público atingisse a incrível marca de R$ 562,8 bilhões (8,9% do PIB). De todo modo, este rombo foi menor do que o havido em 2015, que alcançou a marca de R$ 613 bilhões (10,2% do PIB).

Por fim, ainda em 2016, a dívida líquida do setor público, por causa da pressão de juros nominais, valorização cambial e déficit primário, teve elevação de 10,3 p.p., totalizando R$ 2.892 bilhões (45,9% do PIB), enquanto que a dívida bruta do governo geral cresceu 4,0 p.p., alcançando R$ 4.378 bilhões (69,5% do PIB).

 

Economista com pós-graduação pela Unicamp. Foi responsável pela área de economia do CIESP (2005-2007) e assessor da Presidência da ABINEE entre 2007 e 2016. Atualmente dirige a assessoria de economia do Sindipeças e é colaborador do EH.

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