27 de May de 2019


Desemprego atingirá cerca de 12,2 milhões de pessoas em 2016 e sinaliza avanço no primeiro semestre de 2017

Desempenho aquém da economia intensifica volume de demissões.

Por: Carlos Cavalcanti
31/12/2016 às 01h00

 

O flagelo do desemprego persiste. A hipótese de que o nível de atividade se recuperaria no quarto trimestre “caiu por terra” e com isso se intensificou o volume de demissões em outubro e novembro. Por fatores sazonais, o mês de dezembro é marcado por elevado volume de demissões.

De acordo com a PNAD Contínua/IBGE, a taxa de desocupação foi estimada em 11,9% para o trimestre entre setembro e novembro desse ano. Ocorreu crescimento de 2,9 p.p. da taxa de desemprego, quando comparada com igual trimestre do ano anterior. Em outras palavras, foram 3,0 milhões de desempregados a mais nesse período.

Por conta dessa avalanche de demissões, a população ocupada sofreu redução de 2,1% em comparação ao mesmo trimestre de 2015. A estimativa é de que havia 90,2 milhões de trabalhadores em exercício entre setembro e novembro desse ano contra 92,1 milhões em igual período de 2015.

Para o mercado formal, o CAGED revelou que foram eliminados 116,7 mil postos de trabalho em novembro. Foi o segundo pior resultado da série histórica, ficando atrás apenas de 2015. No ano, já foram contabilizadas 858 mil vagas a menos e nos últimos doze meses, 1,5 milhão.

Além da população jovem ser a principal vítima do desemprego, é importante considerar também que houve aumento (3,5% na comparação interanual) do número de empregados no setor privado sem carteira assinada, contrariando a tendência observada nos anos de crescimento econômico (2005-2013). Além disso, registrou-se queda (3,0% em relação a igual trimestre do ano anterior) na categoria dos conta própria (autônomos).

O custo dos encargos trabalhistas e a forte queda da atividade de Serviços e Comércio em 2016 explicam os resultados acima.  Por sua vez, o lado positivo desse painel reside no aumento (5,5% frente ao trimestre entre junho e agosto deste ano) do contingente de empregadores. A vocação empreendedora do cidadão brasileiro, somado às dificuldades impostas pela crise, fez crescer o número de pessoas que decidiram pela abertura de seu próprio negócio. Como sabemos, o risco está na capacidade de sobrevivência que, para micro e pequenas empresas, é baixa no país.

Agricultura, Indústria em geral, Construção Civil e Informação, Comunicação e Atividades financeiras continuaram eliminando postos de trabalho, quando comparado aos resultados do trimestre entre setembro de novembro de 2015.

A massa de rendimento real caiu 2,0% frente a mesmo trimestre de 2015. Se o recuo da inflação tende a beneficiar a evolução dessa variável, a persistência do desemprego agirá em direção oposta. Assim, não esperamos recuperação da massa de rendimentos no próximo ano, mesmo porque a correção do salário mínimo para 2017, anunciada recentemente pelo governo, desconsiderou ganho real.

Estimamos que o CAGED encerrará 2016 com a eliminação de 1,4 milhão de postos de trabalho e que a taxa de desocupação da PNAD atingirá 12,1% (12,3 milhões de pessoas) no trimestre entre outubro e dezembro desse ano.

Economista com pós-graduação pela Unicamp. Foi responsável pela área de economia do CIESP (2005-2007) e assessor da Presidência da ABINEE entre 2007 e 2016. Atualmente dirige a assessoria de economia do Sindipeças e é colaborador do EH.

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