24 de Jul de 2017


Desemprego tende a aumentar até meados do ano

Devendo, todavia, reverter a trajetória altista no segundo semestre.

Por: Fabio Silveira
03/05/2017 às 20h33

Em março, a taxa de desemprego da economia brasileira atingiu 13,7%, ou seja, aumentou 2,8 pontos percentuais em comparação com igual mês do ano passado. Tal elevação mostrou-se ligeiramente menor que a ocorrida em fevereiro, quando essa taxa subiu 2,9 pontos percentuais, no comparativo fev17 versus fev16, atingindo 13,2%.

O desemprego de março foi recorde para a série histórica iniciada em 2012. Este resultado deveu-se à seguinte combinação:

a) Aumento de 28% da população desocupada, totalizando 14,2 milhões de desempregados (+ 3,1 milhões de pessoas); e

b) Crescimento de 1,4% da PEA (População Economicamente Ativa), alcançando 103,1 milhões de pessoas, o maior nível histórico já registrado.

O incremento de 28% da população desocupada é a menor variação ocorrida desde jan/16, quando o número de desocupados cresceu 42,2%.

Os setores que mais desempregaram em março foram:

a) Construção(- 9,5% ou – 719 mil);

b) Agricultura e Pecuária(- 8% ou – 758 mil);

c) Indústria Geral(- 2,9% ou – 342 mil) e;

d) Serviços domésticos(- 2,9% ou – 184 mil).

A massa real de rendimento, por sua vez, sofreu retração de 0,4%, devido, fundamentalmente, ao declínio de 1,9% do pessoal ocupado, já que o rendimento subiu 1,4%, atingindo R$ 2.312,00 em mar17. A redução deste importante indicador de consumo, todavia, foi bem menor do que a verificada em fevereiro, quando a variação interanual da massa real de rendimento registrou baixa de 1,5%.

Paras os próximos meses, a expectativa é de piora menos acentuada das condições do mercado de trabalho (seguida de ligeira melhora no segundo semestre), em face da perspectiva de desempenho um pouco mais favorável de alguns setores da indústria brasileira, em particular dos exportadores.

Nessas condições, para dezembro de 2017, estima-se que a taxa de desemprego situe-se na marca de 13%, ficando abaixo do pico de 14,2% previsto para meados deste ano.

 

Mestre em economia pela Universidade de Grenoble (França) e pós-graduado pelo Instituto de Altos Estudos Internacionais e de Desenvolvimento de Genebra (Suíça). Economista formado pela USP. Foi superintendente de estudos setoriais e de investimentos do UNIBANCO, além de economista da Copersucar e do Senai. Atuou nas principais consultorias do país. Hoje é sócio-diretor da MacroSector Consultores.

MAIS NOTÍCIAS

Mercado de trabalho melhora pelo terceiro mês consecutivo

Em junho, foram criados 9,8 mil empregos com carteira assinada.

Nível de Atividade do Banco Central recuou 0,51% em maio

Mas cresceu em relação ao mesmo mês em 2016.

Nível de atividade deve crescer 0,80% em 2017

Sustentado por exportações e consumo.

Reforma da Previdência e a curva nada normal da desigualdade

Sem ela, futuro será a bancarrota.