27 de May de 2019


Economia brasileira cresce lentamente

Exportações e consumo das famílias são destaques.

Por: Fabio Silveira
02/09/2017 às 18h32

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,2% no segundo trimestre de 2017, na série com ajuste sazonal. Trata-se do segundo resultado trimestral favorável, após oito trimestres consecutivos de queda. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a alta foi de 0,3%, encerrando uma série de 12 trimestres seguidos de evolução negativa.

Pelo lado da oferta, o referido incremento de 0,2% deveu-se à seguinte combinação: a) expansão de serviços (+0,6%); b) queda da indústria (-0,5%); e c) estabilidade da agropecuária (0,0%).

O PIB de serviços avançou 0,6%, em função do maior dinamismo de comércio (+1,9%), outros serviços (+0,8%), atividades imobiliárias e aluguéis (+0,8%) e transporte, armazenagem e correio (+0,6%). No sentido oposto, o enfraquecimento dos segmentos de serviços de informação (-2,0%), administração, saúde e educação pública (-0,3%) e intermediação financeira (-0,2%) pesou negativamente sobre o setor.

O PIB industrial caiu 0,5%, refletindo o recuo da construção civil (-2,0%) e Utilities[1] (-1,3%). O avanço das indústrias de transformação (+0,1%) e extrativa mineral (+0,4%) amenizou a contração do produto do setor.

O PIB agropecuário se manteve estável (0,0%). A expansão das lavouras de milho, soja e arroz foi neutralizada pelo declínio da cana-de-açúcar e dos preços de vários produtos agrícolas.

Pelo lado da demanda, a elevação de 0,2% do PIB brasileiro no segundo trimestre foi sustentada por: a) aumento do consumo das famílias (+1,4%), em decorrência da queda do desemprego, melhora das condições de crédito e a liberação do FGTS; b) avanço de 0,5% das exportações, devido à busca de novos mercados pelas empresas exportadoras; e c) retração de 3,5% das importações, devido à trajetória de queda dos preços das matérias-primas durante o período.

Após a divulgação do desempenho do segundo trimestre, manteve-se a previsão de crescimento do PIB brasileiro em 0,5%, dado o cenário de:

– Expansão das exportações (+6,0%), em resposta, particularmente, ao incremento dos embarques de minério de ferro e de outras commodities metálicas e à aceleração (suave) do PIB global; e

– Crescimento de 0,3% do consumo das famílias (+0,3%), incentivado pela expectativa de: a) melhora, ainda que modesta, do mercado de trabalho no segundo semestre; b) elevação do endividamento das famílias; e c) retomada (lenta) do crédito ao consumidor.

Por outro lado, os seguintes fatores impedirão um maior crescimento do produto no país este ano:

– Queda de 3% do investimento, provocada pela manutenção da ociosidade do sistema produtivo.

– Redução de 1,7% do Gasto Público, dado o movimento de diminuição da arrecadação fiscal; e

– Aumento de 2,5% das importações, em decorrência da valorização da taxa média de câmbio, a qual deve atingir a marca de R$ 3,21 / US$ (ante R$ 3,49 / US$, em 2016);

Para o terceiro trimestre, estima-se que o produto da economia brasileira cresça novamente 0,2%.

[1] Produção e distribuição de eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana.

Mestre em economia pela Universidade de Grenoble (França) e pós-graduado pelo Instituto de Altos Estudos Internacionais e de Desenvolvimento de Genebra (Suíça). Economista formado pela USP. Foi superintendente de estudos setoriais e de investimentos do UNIBANCO, além de economista da Copersucar e do Senai. Atuou nas principais consultorias do país. Hoje é sócio-diretor da MacroSector Consultores.

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