27 de May de 2019


Em janeiro foram fechadas quase 41 mil vagas formais

Recuperação do mercado de trabalho ainda vai demorar.

Por: Carlos Cavalcanti
05/03/2017 às 20h36

 

Como discutido neste espaço anteriormente, a fragilidade e as amarras do mercado de trabalho no Brasil farão com que este seja o último a reagir à crise. Assim, apesar da redução líquida de empregos formais em janeiro último ter sido menor do que a de igual mês de 2016 (40,9 mil versus 99,7 mil), nada autoriza concluir que o mercado de trabalho tenha encontrado uma trajetória de revitalização. Desse modo, nos últimos 12 meses encerrados em janeiro, houve a destruição de 1,281 milhão de vagas.

Há, contudo, alguns aspectos para o mês em tela que merecem ser ressaltados:

1º) A quantidade de postos de trabalho fechados foi praticamente a metade do observado em 2015 (81,8 mil); e 59% menor do que o apurado em 2016 (99,7 mil);

2º) A indústria de transformação voltou a contratar e, por certo, esta é uma boa notícia. Após três meses consecutivos (outubro a dezembro) com registros negativos, incorrendo na eliminação de 188 mil postos de trabalho no período, a indústria abriu novas vagas em um total de 17,5 mil. Nove dos doze subsetores realizaram contratações, com destaque para calçados, têxtil, vestuário e artefatos de tecidos, mecânica, borracha, fumo, couros, peles e similares e metalurgia.

Cabe ressaltar, no entanto, que os meses de janeiro revelam alguma sazonalidade na contratação da indústria (ver gráfico 1). Desse modo, o resultado deve ser relativizado, embora não perca, por isto, o seu brilho.

3º) A Construção civil demitiu apenas 775 trabalhadores. Em janeiro de 2015 e 2016 ocorreram 9,7 mil e 2,6 mil demissões, respectivamente. Portanto, o volume de dispensas este ano ficou bem abaixo do observado nos dois anos anteriores (ver gráfico 1).

4º) Por fatores sazonais, o comércio varejista foi o que mais demitiu em janeiro. Foram dispensados 60,1 mil trabalhadores (gráfico 2), isto é, um número menor do que as dispensas realizadas em janeiro de 2015 (97,8 mil) e 2016 (69,8 mil).

5º) Nos serviços, os 9,5 mil postos de trabalho eliminados superaram o registrado em igual mês de 2015 (7,1 mil), mas foram menores do que se assistiu em 2016, quando ocorreram 17,2 mil demissões. No mês em tela, os segmentos de transporte e comunicação (10,2 mil) e serviços de alojamento e alimentação (7,1 mil) foram os que mais contribuíram para o resultado final.

Após dois anos em queda livre, estimamos que o mercado de trabalho melhore gradualmente no decorrer de 2017, encerrando o corrente exercício com o registro de uma redução líquida de 100 mil postos de trabalho formais, ou seja, um volume muito menor que a destruição de 1,322 milhão de vagas ocorrida no ano passado.

Economista com pós-graduação pela Unicamp. Foi responsável pela área de economia do CIESP (2005-2007) e assessor da Presidência da ABINEE entre 2007 e 2016. Atualmente dirige a assessoria de economia do Sindipeças e é colaborador do EH.

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