16 de Dec de 2017


Exportações sustentaram a produção de autos no primeiro trimestre

Produção cresceu 24% e exportação avançou 72% no período.

Por: Carlos Cavalcanti
11/04/2017 às 15h13

 

 

Os resultados da Anfavea (produção, licenciamentos e exportação) e da Fenabrave (emplacamentos) no primeiro trimestre do ano aqueceram os argumentos relativos à recuperação, seletiva e gradual, da atividade industrial. Responsável pela estabilidade da produção nos dois primeiros meses do ano, ao lado de equipamentos de informática e produtos eletrônicos, artigos de vestuário e acessórios e indústria extrativa[1], o desempenho da indústria automotiva reanimou a expectativa em relação à escalada industrial, sobretudo por causa do incremento da produção de veículos leves e caminhões no primeiro trimestre do ano.

No trimestre, a produção de autoveículos totalizou, em média, 203,3 mil veículos, exibindo crescimento de 24,0% em relação a igual período anterior (gráfico 1). Ao avançarem quase 70% (57,6 mil veículos exportados no primeiro trimestre desse ano contra 33,9 mil em 2016), as exportações se transformaram no principal vetor de crescimento do setor, considerando-se ainda que as vendas internas recuaram 1,9% entre o primeiro trimestre de 2016 e o mesmo período de 2017.

 

 

 

Embora promissor, o que tem permitido o crescimento do consumo aparente (gráfico 2), o volume produzido e comercializado de autoveículos ainda permanece abaixo dos resultados observados para igual período entre 2013 e 2015. Apenas as exportações, a despeito da instabilidade do câmbio, avançaram de modo consistente superando os volumes de anos anteriores.

 

 

Afora o fato dos níveis produção e vendas estarem muito aquém daquele verificado até 2015 (ano mais forte da recessão), o crescimento por categoria tem se mostrado muito desigual. Puxada pelo mercado externo (gráficos 3 e 4), a fabricação de leves (automóveis e comerciais leves) aumentou no primeiro trimestre do ano, frente a igual período de 2016, em ritmo bem superior ao do segmento de pesados (caminhões e ônibus). No trimestre, o incremento médio da produção de automóveis (26,3%) e comerciais leves (15,9%) superou com larga vantagem o de caminhões (4,0%) e ônibus (-5,2%).

 

 

No caso das exportações não foi diferente e gerou estímulos para o crescimento da produção. No segmento de leves, as exportações, frente ao primeiro trimestre de 2016, subiram 77,6% para automóveis e 70,9% para comerciais leves. A boa surpresa veio da expansão de 42,4% das vendas externas de caminhões. Nos três primeiros meses de 2016, as exportações dessa categoria tinham recuado 6,5% em relação à igual período de 2015. Assim, apenas o segmento de ônibus ainda não mostrou desempenho favorável no mercado externo.

 

 

Por fim, houve recuperação de máquinas agrícolas e rodoviárias, sobretudo das primeiras, em razão da boa performance do agronegócio brasileiro, cuja renda, em termos reais, deverá crescer em torno de 4% e a colheita alcançar volume recorde neste ano. No confronto entre o primeiro trimestre de 2016 e de 2017, o consumo aparente deste segmento passou de 567 unidades para 2.114 unidades, ou seja, registrou um incremento de 273%.

 

 

Nesse caso, o mercado interno tem sido fator determinante para o bom desempenho (gráfico 6). O crescimento de 72,2% entre os trimestres foi impulsionado pela expansão das vendas internas em 41,1%, enquanto as exportações avançaram menos, 14,4%, levando-se ao exterior 755 unidades no primeiro trimestre desse ano contra 661 unidades no ano passado.

 

 

Embora seja cedo para comemorar os resultados apresentados, ao menos se pode perceber que a espiral recessiva ficou para trás. Desse modo, a recente queda dos indicadores de inflação, acompanhada da lenta, mas contínua diminuição dos juros (nominais), tende a contribuir para a recuperação do nível de atividade em futuro próximo. No caso dos bens duráveis, como aqui destacado, a recuperação do crédito tem papel ainda mais importante.

[1] A produção da indústria brasileira se manteve praticamente estável (+0,3%) no acumulado dos dois primeiros meses de 2017 em relação a igual período anterior. A fabricação de veículos automotores (+12,0%), equipamentos de informática e produtos eletrônicos (+18,5%), confecção de artigos de vestuário e acessórios (+8,7%) e a indústria extrativa (+8,7%) puxaram o crescimento, ao exibirem excelente desempenho para o período.

Economista com pós-graduação pela Unicamp. Foi responsável pela área de economia do CIESP (2005-2007) e assessor da Presidência da ABINEE entre 2007 e 2016. Atualmente dirige a assessoria de economia do Sindipeças e é colaborador do EH.

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