16 de Dec de 2017


Festividades de final de ano explicam contratações em outubro

Caged aponta criação de 76,6 mil empregos no mês.

Por: Carlos Cavalcanti
29/11/2017 às 09h47

 


O saldo líquido de novas contratações causou alguma surpresa em outubro. Ao gerar aproximadamente 76,6 mil novos postos de trabalho, superando em 0,2% o estoque de emprego do mês anterior, o mercado formal de trabalho apresentou inesperada vitalidade para a maioria dos analistas econômicos. Assistiu-se ao melhor resultado para os meses de outubro dos últimos quatro anos, haja vista que no período entre 2014 e 2016 registrou-se maior volume de demissões do que de contratações no mesmo mês.

No acumulado do ano, houve acréscimo de 302,2 mil empregos celetistas no ano de 2017 (+ 0,79% em relação ao estoque de dezembro de 2016), enquanto que, nos últimos doze meses, observou-se a redução de 294,3 mil postos de trabalho – resultado ligeiramente melhor do que o observado nessa base de comparação até setembro deste ano (- 466,7 mil) e em comparação ao verificado até outubro de 2016 (- 1.550,5 mil).

Responderam pela boa performance do mercado de trabalho os setores diretamente relacionados com as festas de final de ano, visto que, após dois anos de intensa crise, vendas mais robustas são esperadas para esse ano. A redução dos juros nominais, com consequente alívio para o endividamento das famílias, bem como a manutenção da inflação em patamares muito baixos, impactam o estado de confiança dos consumidores, assegurando uma perspectiva mais firme de aumento das vendas.

O comércio realizou contratações líquidas de 37,3 mil pessoas e a indústria de transformação incorporou mais de 33,2 mil vínculos empregatícios, com destaque para o ramo de alimentos, bebidas e álcool etílico (+ 20,6 mil). Ressalte-se que a Indústria alimentícia e de bebidas gerou sozinha 52,8% mais empregos do que a soma dos dez ramos da indústria de transformação[1] que despontam, em ordem subsequente, na criação de novas vagas de trabalho.

Ainda que sem o mesmo ímpeto do comércio e da indústria de transformação, o setor de serviços gerou saldo positivo de 15,9 mil empregos. Três segmentos – (i) comércio e administração de imóveis, valores mobiliários, serviço técnico; (ii) serviços médicos, odontológicos e veterinários e (iii) transportes e comunicações – responderam, em conjunto, por 93,3% do total de empregos criados no setor.

Por sua vez, exerceram pressão negativa para o resultado de outubro os segmentos de construção civil (- 4,8 mil), ainda bem distante de uma sólida recuperação, agropecuária (- 3,6 mil), SIUP[2] (- 0,7 mil) e extrativa mineral (- 0,5 mil).

O bom resultado do mercado de trabalho deixa no ar ao menos duas questões:

1) Resultados semelhantes devem se repetir nos próximos meses, apontando para uma retomada mais vigorosa da economia, ou o que ocorreu no último mês foi um fato circunstancial?

2) Se novos (e bons) resultados emergirem, ampliando as possibilidade de aumento do consumo, como devem se comportar inflação e juros no decorrer de 2018?



[1] Os ramos industriais são: têxtil (2,2 mil); madeira e mobiliário (2,1 mil); química (2,1 mil); mecânica (1,9 mil); eletrônica e comunicação (1,3 mil); papel e papelão (1,0 mil); metalúrgica (1,0 mil); material de transporte (0,8 mil) e calçados (0,4 mil).

[2] Serviço industrial de utilidade pública.

Economista com pós-graduação pela Unicamp. Foi responsável pela área de economia do CIESP (2005-2007) e assessor da Presidência da ABINEE entre 2007 e 2016. Atualmente dirige a assessoria de economia do Sindipeças e é colaborador do EH.

MAIS NOTÍCIAS

Produção de veículos continua acelerada

Refletindo o dinamismo das exportações, em boa medida

IBC-Br confirma recuperação da economia brasileira

Em setembro, índice variou 2,0% na comparação interanual

Vendas do varejo subiram 0,5% em setembro, devendo crescer 2,2% em 2017

Sustentadas pelo aumento de salários e crédito

Minerva (BEEF3): empresa apresenta forte resultado no 3T17

Ações têm potencial de valorização superior a 20%