27 de May de 2019


Indústria automobilística: pesadelo deverá ser menos assustador em 2017

O cenário para a indústria automobilística brasileira segue adverso.

Por: Fabio Silveira
04/11/2016 às 12h14

O cenário para a indústria automobilística brasileira segue adverso. Em setembro, segundo a Anfavea, quando foram produzidos 170,8 mil veículos (incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus), ou seja, 2% abaixo do observado no mesmo mês de 2015. Isto levou a produção do setor, nos nove primeiros meses de 2016, a acumular queda de 18,5% frente a igual período do ano passado. Com este resultado, a projeção de queda da produção de autos para 2016 ampliou-se de 11% para 12%, situando-se agora em 2,14 milhões de autos produzidos.

O desempenho do setor espelha a profunda recessão que atinge a economia brasileira, a qual aponta, no fechamento deste ano (em comparação com 2015), para: a) um declínio de 3,5% do pessoal ocupado; e b) uma redução real do volume de crédito ao consumidor em geral (- 6%) e do crédito destinado à aquisição de veículos em particular (- 17%), em função, essencialmente, do nível extremamente alto dos juros reais.

Evitará maior tombo desta indústria neste ano, a perspectiva de incremento das exportações para a Argentina, principal destino das vendas externas dos veículos brasileiros, apesar do quadro também recessivo predominante no país vizinho.

De todo modo, nos próximos meses, prevê-se que o nível de atividade da indústria automobilística brasileira continue se ajustando à dinâmica macroeconômica, tendendo, assim, a registrar ainda resultados ruins em termos de produção e vendas, bem como o adiamento de planos de investimento.

Por outro lado, para 2017, espera-se que o pesadelo do setor seja menos assustador, já que a produção de autos deve voltar a crescer, ainda que de forma relativamente modesta. Prevê-se que tal avanço gire em torno de 5%, alcançando um volume de 2,25 milhões de veículos.

Este desempenho mais favorável deverá apoiar-se:

  1. na redução real de preço dos veículos (e da margem de rentabilidade das montadoras), refletindo o acirramento da concorrência no mercado doméstico de veículos; e
  2. na manutenção do crescimento da exportação, dada a expectativa de que a taxa de câmbio continue razoavelmente competitiva.

Mestre em economia pela Universidade de Grenoble (França) e pós-graduado pelo Instituto de Altos Estudos Internacionais e de Desenvolvimento de Genebra (Suíça). Economista formado pela USP. Foi superintendente de estudos setoriais e de investimentos do UNIBANCO, além de economista da Copersucar e do Senai. Atuou nas principais consultorias do país. Hoje é sócio-diretor da MacroSector Consultores.

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