16 de Dec de 2017


Indústria fica estável em junho

Produção aumentou 0,9% no segundo trimestre.

Por: Fabio Silveira
01/08/2017 às 17h12

Em junho, a produção industrial brasileira permaneceu estável (+ 0,0%), na série com ajuste sazonal. Trata-se de um resultado, evidentemente, decepcionante. Na série sem ajuste sazonal, houve incremento de apenas 0,6% frente a junho de 2016.

Com este resultado, nos últimos 12 meses, a indústria recuou 1,9%, que é a menor contração para este período desde agosto de 2014, quando o setor acumulou declínio de 1,6%.

A perda de fôlego no período jul-16 e jun-17 foi motivada pela vigência, principalmente, dos seguintes obstáculos:

a) Juros reais médios superiores a 6%, encarecendo demasiadamente o custo de financiamento do capital de giro das empresas;

b) Diminuição do volume de vendas do varejo da ordem de 3,5%; e

c) Baixa de 4,5%, aproximadamente, da receita real de exportação, em moeda local, por causa, entre outros fatores, da valorização da taxa de câmbio.

A estabilização (+ 0,0%) da produção em junho, na série com ajuste sazonal, deveu-se à seguinte combinação: a) avanço de bens de capital (+ 0,3%) e bens intermediários (+ 0,1%); e queda de bens de consumo (- 1,1%). Desse modo, no segundo trimestre, a produção industrial expandiu-se 0,9% em relação a igual período de 2016, exibindo o segundo e mais consistente progresso em 12 trimestres.

Até o final deste ano, espera-se que a indústria continue evoluindo positivamente, ainda que de modo lento, dada perspectiva de: a) declínio dos juros reais e ampliação do crédito no mercado doméstico; e b) manutenção do bom ritmo das exportações, para as quais vem contribuindo a expansão sincronizada das economias americana, europeia e chinesa.

Esse conjunto de fatores deve permitir que a produção industrial brasileira, em 2017, tenha crescimento de 1,3%, interrompendo a trajetória declinante observada desde 2014.



Mestre em economia pela Universidade de Grenoble (França) e pós-graduado pelo Instituto de Altos Estudos Internacionais e de Desenvolvimento de Genebra (Suíça). Economista formado pela USP. Foi superintendente de estudos setoriais e de investimentos do UNIBANCO, além de economista da Copersucar e do Senai. Atuou nas principais consultorias do país. Hoje é sócio-diretor da MacroSector Consultores.

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