25 de Sep de 2017


IPCA-15 desacelera para 0,16% em junho

Alimentos deram a maior contribuição.

Por: Carlos Cavalcanti
23/06/2017 às 18h23

A prévia da inflação de junho, medida pelo IPCA-15, subiu 0,16%, evoluindo aquém do ocorrido em maio (0,24%). Trata-se da menor taxa para os meses de junho desde 2006, quando houve deflação de 0,15%. Desse modo, nos últimos 12 meses, o referido índice acumulou alta de 3,52%, que é o menor aumento para essa métrica desde junho de 2007 (3,44%).

O resultado de junho foi impactado, principalmente, pela:

a) Queda de 0,47% do grupo Alimentos e Bebidas, que tem participação de 25% no consumo das famílias. Este declínio, por sua vez, deveu-se, em boa medida, à contração de preços de alimentos para consumo dentro de casa (- 0,83%) e exerceu pressão baixista de 0,12 p.p. (ponto percentual) sobre este índice geral de preços ao consumidor.

b) Recuo de 0,10% do grupo Transportes, refletindo, sobretudo, a queda de preços de a) combustíveis (- 0,66%), por causa do barateamento de etanol (- 2,05%) e gasolina (- 0,37%); e b) tarifa de ônibus interestadual (- 0,95%).

Em contrapartida, entre os grupos que exerceram pressão altista, o destaque foi Habitação, que registrou alta de 0,93%, em função da majoração da tarifa de energia elétrica (2,24%) e da taxa de esgoto (1,6%), assim como de preços de condomínio (1,14%) e artigos de limpeza (0,84%). Este grupo contribuiu com uma elevação de 0,14 p.p. na prévia do IPCA de junho.

As projeções de inflação para o fechamento de junho, divulgadas nesta semana pelo Boletim Focus do Banco Central, são deflacionárias, já que os preços dos alimentos no atacado continuam enfraquecidos. Por outro lado, o aprofundamento da crise política empurra a realização das reformas trabalhista e da previdência para horizonte mais distante. Nessas condições, o Copom tende a realizar um corte de 100 pontos-base (1%) em sua próxima reunião (25-26 Julho).

Economista com pós-graduação pela Unicamp. Foi responsável pela área de economia do CIESP (2005-2007) e assessor da Presidência da ABINEE entre 2007 e 2016. Atualmente dirige a assessoria de economia do Sindipeças e é colaborador do EH.

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