27 de May de 2019


Monitor do PIB/FGV reforça a deterioração da economia

Recuperação será lenta e dolorosa.

Por: Carlos Cavalcanti
16/12/2016 às 18h22

 

Ao longo dos últimos meses, temos reiterado que a recuperação da economia brasileira será lenta e dolorosa. Ao contrário do que previram alguns analistas, não nos deixamos influenciar pela mudança política ou pelo crescimento dos índices de confiança entre maio e setembro deste ano.

Embora o governo esteja providenciando um “mini pacote” de estímulo, não há motivos concretos para acreditar que a economia possa se estabilizar antes do segundo trimestre de 2017.

Nessa linha, as informações do Monitor do PIB/FGV, relativo ao mês de outubro, confirmam a nossa avaliação e sinalizam para um quarto trimestre fraco. O indicador apresentou retração de 0,48% na passagem de setembro para outubro e recuou 4,5% no confronto com o mesmo mês de 2015. Em doze meses, a taxa acumulada do monitor do PIB seguiu a sua trajetória de desaceleração, atingindo 4,3%.

No trimestre móvel encerrado em outubro, o indicador encolheu 0,74% em comparação ao trimestre imediatamente anterior (maio/junho/julho). A variação foi muito próxima daquela observada no terceiro trimestre do ano (-0,80%), calculada pelo IBGE. Frente ao mesmo trimestre do ano anterior, registrou-se queda de 3,1%, após cinco trimestres móveis consecutivos de avanço do índice.

Os sinais negativos para todas as categorias da demanda, seja pela métrica de comparação com o mesmo mês do ano anterior ou com relação à igual trimestre do ano anterior (ver quadro), retratam as dificuldades que enfrentamos para uma retomada. Elevada capacidade ociosa, injustificada manutenção da taxa de juros em 13,75%, instabilidade política e restrições impostas pela escassez de crédito, queda real da renda e elevado endividamento explicam o cenário.

Destaque-se também, com base nas informações do Monitor, a contração das exportações em intensidade superior à das importações pelas duas métricas de comparação. Sinal de que o afrouxamento da ação do Banco Central sobre o câmbio, deixando o Real se valorizar, retirou fôlego do principal driver de potencial crescimento da economia. Filme antigo. 

Economista com pós-graduação pela Unicamp. Foi responsável pela área de economia do CIESP (2005-2007) e assessor da Presidência da ABINEE entre 2007 e 2016. Atualmente dirige a assessoria de economia do Sindipeças e é colaborador do EH.

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