24 de Nov de 2017


Nível de atividade do Banco Central recuou 0,51% em maio

Mas cresceu em relação ao mesmo mês em 2016.

Por: Carlos Cavalcanti
17/07/2017 às 17h43

Em maio, o IBC-Br (proxy do PIB medida pelo Banco Central) mostrou queda de 0,51%, na série livre das influências sazonais. Embora, na passagem entre abril e maio, os indicadores de indústria e serviços tenham mostrado desempenho positivo (0,8% e 0,1%, respectivamente) e o  do comércio recuado levemente (-0,1%), alguns fatores contribuíram para a retração do IBC-Br.

a) Agravamento da crise política com as denúncias realizadas pelos principais executivos do Grupo JBS, o que gerou tensão no mercado e travou decisões de produção e consumo;

b) Aumento nominal da concessão de crédito livre em magnitude insuficiente (15,5%) para compensar a queda observada entre março e abril (-16,5%); e

c) Incremento da inadimplência da carteira de crédito com recursos livres, que passou de 5,74%, em abril, para 5,95%, em maio, atingindo tanto pessoas físicas (de 5,85% para 5,93%), quanto jurídicas (5,62% para 5,97%).

Em relação a maio de 2016, o indicador do Banco Central permaneceu estável (0,04%), enquanto que no acumulado dos últimos doze meses, houve retração de 2,1%: menor resultado desde junho de 2015, quando se registrou variação negativa de 2,0%. De todo modo, a tendência é de alguma recuperação da atividade econômica nos próximos meses.



Impediram o maior dinamismo da economia, quando destacadas as comparações entre períodos mais extensos.

a) O recente agravamento da crise política e as incertezas por ela provocadas;

b) A valorização de aproximadamente 16% da moeda doméstica (Real) na comparação entre os cinco primeiro meses de 2016 contra igual período em 2017;

c) Leve declínio das concessões de crédito (-0,4%), no período janeiro-maio deste ano, em comparação a igual período de 2016.

Com base nas informações econômicas dos cinco primeiros meses do ano, prevê-se que o IBC-Br crescerá 0,8% em 2017, dado o horizonte de relativa manutenção da competitividade das exportações, somada à perspectiva de melhora dos níveis de consumo e investimento no segundo semestre, que tendem a ser favorecidos pela redução dos juros reais para patamar de 3,5% a.a., flexibilização do crédito e alguma reação positiva do mercado de trabalho.



 

Economista com pós-graduação pela Unicamp. Foi responsável pela área de economia do CIESP (2005-2007) e assessor da Presidência da ABINEE entre 2007 e 2016. Atualmente dirige a assessoria de economia do Sindipeças e é colaborador do EH.

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