27 de May de 2019


O mercado de trabalho será o último a reagir na retomada

Desemprego sobe para 12,6% e atinge 12,9 milhões de pessoas.

Por: Carlos Cavalcanti
25/02/2017 às 18h33

Após curto período de crescimento lento da desocupação, a taxa de desemprego acelerou no trimestre móvel encerrado em janeiro deste ano, atingindo 12,6%, ou seja, 0,8 p.p. a mais do que no trimestre agosto-outubro de 2016. Na comparação com o período novembro-janeiro de 2016, houve acréscimo de 3,1 p.p.

Segundo o IBGE, no trimestre findo em janeiro de 2017, o número de pessoas sem trabalho alcançou o assombroso volume de 12,9 milhões de pessoas, saltando 7,3% (ou o equivalente a 879 mil pessoas) em relação ao trimestre agosto-outubro de 2016; e avançou 34,3% (ou o correspondente ao mega incremento de 3,3 milhões de pessoas) em comparação com trimestre terminado em janeiro de 2016.

Como a taxa de desocupação era de 6,8% no trimestre encerrado em janeiro de 2015, impressiona o fato de que ela cresceu 85,3% no curto intervalo de 2 anos (ver gráfico em destaque).

Fazendo analogia com crises econômicas dramáticas e recentes, vale destacar que a referida taxa de desocupação de 12,6% é superior aos níveis atingidos por EUA e Zona do Euro, quando o desemprego escalou “os alpes”, na esteira da crise global de 2008-2009. O que demonstra o quanto o mercado de trabalho no Brasil é instável e pouco estruturado.

No trimestre analisado, estimou-se que 89,9 milhões de pessoas exerciam alguma atividade, quantidade que se mostrou estável em comparação com o trimestre agosto-outubro de 2016. Em relação ao trimestre novembro-janeiro de 2016, quando o total de ocupados era de 91,6 milhões de pessoas, houve um declínio de 1,9%, correspondente a uma redução de 1,7 milhão de pessoas no contingente de ocupados.

O recuo da inflação, por sua vez, parece que vem dando trégua para o rendimento real dos trabalhadores ocupados. O ganho real destes ficou estável ante o patamar observado no trimestre de agosto-outubro de 2016; e também frente ao trimestre móvel findo em janeiro de 2016.

Economista com pós-graduação pela Unicamp. Foi responsável pela área de economia do CIESP (2005-2007) e assessor da Presidência da ABINEE entre 2007 e 2016. Atualmente dirige a assessoria de economia do Sindipeças e é colaborador do EH.

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