16 de Dec de 2017


5 PERGUNTAS: Dan Ioschpe

Por: Economia Hoje
03/03/2017 às 12h05
Presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças).






1
Em entrevistas recentes, o Sr. alertava para a necessidade da “integração competitiva”. Afinal, o que este termo significa e qual a importância para o setor de autopeças?
Significa avançar na competitividade, desenvolvendo uma estrutura de custos igual ou melhor que a dos países com grau de industrialização e desenvolvimento semelhante ao nosso. E esse avanço tem de se dar dentro da unidade produtora e fora dela, para que os ganhos internos não se percam na sequência. Significa avançar na integração ao mundo, para que não haja a dependência de um mercado apenas, o que aumenta muito o risco da atividade. Ao que tudo indica, a integração reforça a competitividade, até mesmo ao aclarar a sua necessidade.


2
O crescimento das exportações foi talvez o principal fator de sustentação da indústria automotiva em 2016. Bons números se repetiram em janeiro de 2017. As exportações do setor de autopeças, no entanto, recuaram no mesmo período. Afinal, o que acontece?
O que houve nos últimos anos foi uma redução significativa do déficit comercial do setor de autopeças, mas muito mais por conta da queda da importação, do que pelo crescimento da exportação. Onde houve crescimento efetivo foi na reposição no mercado domestico, visto que houve um envelhecimento da frota nestes anos de crise. Para 2017 esperamos um leve crescimento nas exportações, mas ainda é cedo para termos uma maior convicção sobre isso.


3
O Programa Inovar Auto se encerra no final de 2017. É possível apontar os erros e acertos do programa? Em sua opinião, como será estruturado o novo Regime Automotivo, o que alguns vêm chamando de Inovar Auto II?
O programa Inovar-Auto inibiu a venda de veículos importados, tendo sido este o seu efeito mais notório. Do lado das autopeças, a queda dos volumes agregados de produção e o fracionamento do mix ofertado e produzido no Brasil não foram favoráveis ao setor, que de fato tem enfrentado a pior crise de todos os tempos. A questão central da integração competitiva não foi o ponto focal deste Programa. O novo Regime Automotivo ainda está em construção, mas nos parece que será um regramento de mais longo prazo relacionado as condições essenciais de um veiculo para que o mesmo possa ser comercializado no Brasil, ao longo do tempo, com enfoque em eficiência energética, emissões, segurança e conectividade.


4
Em sua opinião, o Brasil reúne (ou reunirá) condições para ingressar na onda de transformações que se vislumbra para o setor automotivo, simbolizadas pela eletrificação, autonomia e conectividade, entre outras mudanças previstas?
Não há como não fazer parte dessa onda, que é muito importante e dará, talvez, novo formato ao setor automotivo ao redor do mundo. Mas a chave da participação brasileira na atividade automotiva está mais relacionada ao desenvolvimento da chamada integração competitiva do que a essa onda. Isso porque a integração competitiva será, no fim do dia, a condição precedente.


5
Se de fato a recuperação se aproxima, quais lições ficam para a indústria, e especialmente para o setor de autopeças, frente à maior crise da nossa história?
Desde 2013 temos amargado a queda livre na produção de veículos e, como disse, estamos enfrentando a pior crise de todos os tempos. Mas precisamos reconhecer que a indústria de autopeças tem demonstrado grande resiliência, cumprindo o seu papel, especialmente se considerarmos as condições de contorno. Para frente, temos que buscar o aumento da competitividade e a nossa integração ao mundo. Sem isso, seguiremos enfrentando dificuldades desproporcionais aos eventuais bons momentos que uma recuperação do mercado domestico possa trazer.


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