27 de May de 2019


PIB brasileiro caiu 0,8% no terceiro trimestre de 2016

Essa foi a sétima contração consecutiva deste indicador.

Por: Rafael Teixeira
30/11/2016 às 23h11

 

No terceiro trimestre deste ano, o PIB brasileiro registrou queda de 0,8% em comparação com o anterior na série com ajuste sazonal, sétima contração consecutiva deste indicador trimestral. Quando comparado com o mesmo trimestre de 2015, a redução foi de 2,9%, o décimo resultado negativo seguido nesta base de comparação. Com este resultado, o PIB acumulado nos últimos quatro trimestres terminados em setembro diminuiu 4,4% frente aos quatro trimestres imediatamente anteriores. Em valores correntes, alcançou a marca de R$ 1,58 trilhão nesse último trimestre.

Esses indicadores explicitam, de maneira inequívoca, a magnitude da crise econômica vivida atualmente pelo país, que já perdura desde 2014, sem mostrar sinais de arrefecimento.

Analisando o resultado pela ótica da demanda, a Formação Bruta de Capital Fixo reduziu 3,1%, após crescer no trimestre anterior. Existia uma expectativa de melhora das expectativas no tocante à evolução do produto e da renda, caso se abrisse um horizonte de trajetória mais firme do crescimento após o desempenho do terceiro trimestre, mas não foi o caso.

A Despesa de Consumo das Famílias reduziu, pelo sétimo trimestre seguido, 0,6%, reflexo das restrições ao crédito, altas taxas de juros e aumento do desemprego. Por seu turno, a Despesa de Consumo do Governo recuou 0,3% em relação ao trimestre anterior, consequência do corte de gastos que o governo tem realizado para fazer face à abrupta queda de suas receitas.

No que tange às contas externas, as Exportações de Bens e Serviços sofreram baixa de 2,8%, enquanto que as Importações diminuíram 3,1%.

Pela ótica da oferta, a Indústria encolheu 1,3%, especialmente por causa da Indústria de Transformação (-2,1%) e Construção (-1,7%). Em contrapartida, a Indústria Extrativa cresceu 3,8%.

Em linha com essa tendência desfavorável, a Agropecuária caiu 1,4%, em função da quebra da produção de milho, algodão, arroz e feijão.

No que diz respeito ao setor de Serviços, o declínio de 0,6% foi puxado por Transporte, Armazenagem e Correio (-2,6%), Outros Serviços (-1,0%), Intermediação Financeira (-0,6%) e Comércio (-0,5%).

Pelos números apresentados, a variação entre os três primeiros semestres de 2016, em comparação com o mesmo período do ano passado, foi de - 4,0%, em resposta: a) pelo lado da demanda, à contração de 11,6% do Investimento; de 4,7%, do Consumo das Famílias; e de 0,7%; do Gasto Público. O setor externo, por sua vez, teve redução de 13,1% na Importação; e crescimento de 5,2%, na Exportação, um efeito, portanto, positivo sobre o produto. Pelo lado da oferta, a contração foi generalizada: Indústria (- 4,3%), Serviços (- 2,8%) e Agropecuária (- 6,9%).

Pelas nossas estimativas, o PIB brasileiro deve cair 3,7% em 2016, esperando-se crescimento nulo para 2017. Esse horizonte sustenta-se na previsão de diminuição moderada da taxa de juros reais, que permitiria alguma recuperação do Investimento, e reversão de sua trajetória declinante no segundo semestre do próximo ano. Além disso, em face da provável desvalorização da taxa média de câmbio, estima-se que haverá também incremento das Exportações.

Economista pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro; MBA em Finanças Empresarias pela Universidade Federal do Rio de Janeiro; Três anos de experiência profissional na área de estruturação de projetos.

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