27 de May de 2019


PIB brasileiro tem queda de 0,6% no segundo semestre de 2016

Essa foi a sexta contração trimestral consecutiva deste indicador.

Por: Rafael Teixeira
13/09/2016 às 18h14

O PIB brasileiro registrou queda de 0,6% no segundo trimestre deste ano em comparação com o trimestre anterior na série com ajuste sazonal, a sexta contração trimestral consecutiva deste indicador. Quando comparado com o mesmo trimestre de 2015, a redução foi de 3,8%, o nono resultado negativo seguido nesta base de comparação. Com esse resultado o PIB do primeiro semestre deste ano, que foi em valores correntes R$ 1,5 trilhão, recuou 4,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

Esses indicadores explicitam, de maneira inequívoca, a magnitude da crise econômica vivida atualmente pelo país, que já perdura desde 2014.

Analisando o resultado pela ótica da demanda, chama atenção a variação positiva de 0,4% na Formação Bruta de Capital Fixo, após dez trimestres seguidos de retração. Uma virada das expectativas sobre a capacidade produtiva brasileira poderá ser confirmada se esse item continuar a crescer nos próximos trimestres desse ano.

Na contramão, a Despesa de Consumo das Famílias reduziu, pelo sexto trimestre seguido, 0,7%, reflexo das restrições ao crédito, altas taxas de juros e aumento do desemprego. Por seu turno, a Despesa de Consumo do Governo recuou 0,5% em relação ao trimestre anterior, consequência do corte de gastos que o governo tem realizado para fazer face a abrupta queda de suas receitas.

No que tange as contas externas, houve seguimento no seu processo de ajuste que, no entanto, parece ser extremamente dependente da taxa de câmbio efetiva. No trimestre, as Exportações de Bens e Serviços expandiram apenas 0,4%, enquanto que as Importações cresceram 4,5%, reflexo da valorização cambial no período.

Pela ótica da oferta, merece destaque o desempenho da Indústria que cresceu a uma taxa trimestral de 0,3%, especialmente por conta da Extração Mineral e a Atividade de Eletricidade e Gás, Água, Esgoto e Limpeza Urbana que subiram 0,7% e 1,1% respectivamente.

Por outro lado, a Agropecuária diminuiu 2% por causa da perda de produtividade de itens como milho, algodão, arroz e feijão.

No setor de Serviços, a queda de 0,8% foi puxada por Transporte, Armazenagem e Correio (-2,1%), Outros Serviços (-1,7%), Intermediação Financeira (-1,1%) e Comércio (-0,8%).

Pelos números acima apresentados, a variação entre o primeiro semestre de 2016 com o primeiro semestre do ano anterior ficou em -4,6%. Essa contração se deu, pelo lado da demanda, por conta das quedas de 13,3% no Investimento, de 5,6% no Consumo das Famílias e de 1,9% no Gasto Público. O setor externo registrou uma redução de 16,2% na Importação e crescimento de 8,2% na Exportação, um efeito, portanto, positivo sobre o produto. Pelo lado da oferta, a contração foi generalizada: Indústria -5,2%, Serviços -3,5% e Agropecuária -3,4%.

Pelas nossas estimativas, o PIB brasileiro deve cair 3,9% em 2016, só voltando a crescer em 2017, quando esperamos uma expansão de 0,8%, explicada por uma recuperação modesta do investimento e do consumo das famílias, que nesse cenário serão estimulados pela redução dos juros reais e a execução de um programa de inversões no setor de infraestrutura.

Economista pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro; MBA em Finanças Empresarias pela Universidade Federal do Rio de Janeiro; Três anos de experiência profissional na área de estruturação de projetos.

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