24 de Nov de 2017


Pós-Temer: três cenários possíveis

País precisa de um presidente que inspire confiança.

Por: Roberto Nemr
19/05/2017 às 17h54

Devido ao comprometimento da governabilidade do atual Presidente Temer, pode-se dizer que existem três cenários alternativos:

  1. Michel Temer renuncia ao governo, sem medo de ser preso, sendo substituído pelo Presidente da Câmara Federal. A agenda econômica é mantida, há uma renovação de ares e o presidente-tampão, com sorte, consegue terminar o mandato;
  2. No próximo dia 6 de junho, daqui 19 dias, o TSE impugna a chapa Dilma-Temer. A Presidência da República é entregue a um candidato de consenso, com bom trânsito no Congresso, para prosseguir com uma agenda positiva. Tasso Jereissati e o ex-Presidente Fernando Henrique são possibilidades. Bom cenário, sem muito stress; e
  3. É votada a PEC das eleições diretas. É o cenário mais estressante, demorado e arriscado, à la Coreia do Sul. Seria uma antecipação do risco 2018, mas com economia ainda fraca. Não é necessariamente um desastre. A vitória do ex-Presidente Lula está longe de ser uma certeza, dado o elevado índice de rejeição e acúmulo de denúncias. De todo modo, qualquer candidato que assuma terá que encarar uma agenda minimamente reformista ou haverá a instalação de completo caos. A vantagem deste cenário é trazer a valor presente o fantasma de 2018.

 

Os principais problemas do Brasil são a enorme dívida pública e a falta de crescimento econômico. Reformas são essenciais, mas é necessário também haver uma plataforma voltada ao crescimento. Um presidente mais popular e comprometido com reformas resgataria a possibilidade de implantação de um tipo de New Deal e a recuperação da confiança, fundamental para o retorno do espírito de risco.

O governo Temer é, por natureza, de transição. O Brasil não dará uma guinada radical, pois não há espaço para isso. Neste momento, está purgando seus pecados, mas tende a sair fortalecido. Podemos avançar. Não caminharemos no sentido de uma ditadura à moda da Turquia, nem de um caos similar ao da Venezuela.

Não precisamos também repetir a tragédia que assolou a Grécia anos atrás. Pode-se perfeitamente crescer com uma taxa de câmbio mais competitiva, juros menores, inflação sob controle e, claro, orçamento equilibrado. Tudo isso requer, entretanto, um presidente que inspire confiança, una a nação e nos convença de que o futuro será melhor que o presente.

 

Economista formado pela Universidade de São Paulo (USP) e consultor de investimentos para os mercados brasileiro e latino americano. Ex-diretor de portfólio para América Latina do Banco Itaú. Foi diretor geral da Genesis Investment Management.

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