27 de May de 2019


Preços das commodities devem evitar maior alta da inflação brasileira

IPCA subiu 0,44%, acumulando a elevação de 9,0% nos últimos doze meses.

Por: Rafael Teixeira
14/09/2016 às 18h28

Em agosto, o IPCA subiu 0,44%, acumulando a elevação de 9,0% nos últimos doze meses. No próximo bimestre, estima-se que o índice oficial apresente aumento médio mensal da ordem de 0,35%, fechando 2016 com o registro de alta de 7,2%.

 

A pressão inflacionária de agosto deveu-se, principalmente, ao crescimento dos preços dos grupos de educação (+ 0,99%) e despesas pessoais (+ 0,96%). No caso do primeiro grupo, as maiores elevações ocorreram nos itens “ensino superior” e “revista”. No grupo de despesas pessoais, os destaques de alta foram “hotel” e “empregado doméstico”.

 

No período janeiro-agosto deste ano, os itens que mais contribuíram para o avanço do IPCA foram taxas de água e esgoto, feijão, frutas, leite e derivados, transporte público e serviços de saúde (incluindo planos).

 

Nos próximos meses, espera-se que o IPCA suba, em média, entre 0,35% e 0,40% ao mês, em face, sobretudo, da expectativa de majoração de preços de:

  1. Produtos agrícolas, refletindo as entressafras da produção de grãos e da produção de bovinos; e
  2. Planos de saúde, por causa da indexação de contratos.

 

Por outro lado, evitarão maior pressão altista sobre o IPCA, os movimentos recentes de relativa estabilização do preço médio das commodities no mercado internacional.

 

As autoridades monetárias têm centrado sua política de controle da inflação apenas no manejo dos juros básicos. Trata-se de uma diretriz cujos resultados, historicamente, foram apenas aceitáveis no sentido de conduzir o IPCA para o centro de meta de 4,5% (além de gerar baixo crescimento econômico).

 

É necessário mais criatividade, entre outras ações, para desmontar os atuais mecanismos de indexação, ou seja, aqueles que repassam a inflação de ontem para os preços de amanhã. Este é o caso dos contratos de aluguel, por exemplo, que são corrigidos, muitas vezes, pela elevação anual do IGP-M, lembrando que boa parte dessa alta advém do encarecimento dos produtos agrícolas provocado por secas, inundações etc.

 

De todo modo, na última reunião do Copom (1 e 2 de setembro), os juros básicos foram mantidos em 14,25%. Nossa expectativa é de que a Taxa Selic comece a diminuir suavemente (- 0,25%) no próximo encontro, previsto para meados de outubro, já que indicadores antecedentes  apontam para um arrefecimento da pressão inflacionária na economia brasileira.

 

Prevê-se ainda que a taxa Selic recue para o patamar de 13,0% aa durante o primeiro semestre de 2017, mantendo-se posteriormente estável até o final do próximo exercício.

 

precso-internacionais

Economista pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro; MBA em Finanças Empresarias pela Universidade Federal do Rio de Janeiro; Três anos de experiência profissional na área de estruturação de projetos.

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