16 de Dec de 2017


Produção industrial: quase todos os setores foram perdedores

Recuperação depende da indústria.

Por: Haroldo da Silva
17/01/2017 às 16h46

 

O Copom (Conselho de Política Monetária), em sua última reunião, decidiu pela redução da taxa básica de juros em 0,75 p.p. Embora seja uma boa notícia, a decisão de acelerar o corte vem tarde e certamente não será suficiente para recuperar, no curto prazo, a atividade econômica, muito debilitada ao longo dos últimos anos. O Brasil ainda pratica juros reais que são os mais elevados do mundo e, nesse cenário, a indústria sofre para competir.

As assimetrias concorrenciais com que a economia brasileira opera, em comparação com as de outros países são inúmeras, sendo identificadas, normalmente, sob a denominação de “Custo Brasil”. A discrepância de condições prejudica vários setores econômicos, e, de forma particular, a indústria. Mas não se trata de um, ou de outro segmento industrial, pois todos, em maior ou menor grau, encolheram nos últimos anos.

Levantamento realizado pela MacroSector Consultores, com base em dados do IBGE, mostra que – à exceção da fabricação de celulose, papel e produtos de papel – todos os setores listados na pesquisa de produção industrial recuaram entre janeiro de 2012 e novembro de 2016.

 

Indústria

 

Como demonstrado acima, no referido período, não há vencedores, uma vez que poucos segmentos apresentaram estabilidade; e, no caso de vários outros, o tombo registrado foi brutal. A indústria geral recuou 16,9%. Na casa dos 30% ou mais de queda, existem sete segmentos, sendo que o pior resultado veio da fabricação de produtos do fumo (- 44%).

É imperativo dinamizar a economia brasileira, e, para tanto, a indústria tem papel fundamental. Reduzir a Selic é só o começo. Mais ações cabem ser adotadas no sentido de reparar minimamente o estrago que atingiu seu principal polo dinâmico, como a estruturação de uma nova política industrial, o refinanciamento das dívidas e a geração de estímulos à inovação.

Mestre em desenvolvimento econômico pela UFPR e especialista em direito tributário pelo IICS. Possui forte experiência em estudos e análises de política industrial, com amplo conhecimento dos segmentos têxtil, vestuário e óptico. É consultor da ABIT e membro efetivo do Comitê Têxtil da FIESP.

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