16 de Dec de 2017


Saldo recorde garante solidez das contas externas

No primeiro bimestre, as exportações superaram as importações em US$7,3 bi.

Por: Carlos Cavalcanti
05/03/2017 às 13h17

Recorde histórico. Esse foi o resultado da balança comercial no acumulado dos dois primeiros meses de 2017. Ao totalizar US$ 7,3 bilhões, o saldo comercial aumentou 84,1% em comparação a igual período do ano anterior, tornando-se o maior da história para o referido período.

Ainda sob a influência de um câmbio mais alto no segundo semestre de 2016, da majoração da receita de commodities e da pressão imposta pelo raquítico desempenho da atividade econômica, as exportações somaram 30,4 bilhões, no primeiro bimestre de 2017; e as importações, 23,1 bilhões. Frente ao mesmo período do ano passado, as exportações cresceram 20,5%; e as importações, 9,2%.

O alcance do recorde histórico nos dois primeiros meses deste ano (frente a igual período de 2016) deveu-se ao incremento generalizado das exportações por fator agregado. Os produtos básicos avançaram 38,1%; os semimanufaturados, 13,2%; e os manufaturados, 5,3%.

Pelo lado das importações, segundo categoria econômica, o período foi marcado pela elevação das compras de combustíveis e lubrificantes (+ 24,5%) e dos bens intermediários (+ 19,5%), mas também pelo declínio das aquisições de bens de capital (- 28,5%) e dos bens de consumo (- 1,5%).

Por fim, vale comentar que, em fevereiro, particularmente, houve a contabilização de um superávit de US$ 4,7 bilhões, o maior da série histórica para este mês. Isto porque, as exportações atingiram US$ 15,5 bilhões, ou seja, 22,4% acima de fevereiro de 2016; e as importações, US$ 10,9 bilhões, avançaram 11,8%.

A despeito do ótimo desempenho, uma luz amarela acendeu no horizonte. A valorização cambial mais intensa nos últimos meses (ver nota neste EH) coloca em risco a dinâmica das vendas externas brasileiras. As exportações, principalmente de manufaturados, podem se ressentir da vigência de um câmbio mais baixo ainda no decorrer deste primeiro semestre.

Economista com pós-graduação pela Unicamp. Foi responsável pela área de economia do CIESP (2005-2007) e assessor da Presidência da ABINEE entre 2007 e 2016. Atualmente dirige a assessoria de economia do Sindipeças e é colaborador do EH.

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