25 de Sep de 2017


Serviços encerra o ano com queda acentuada

O resultado foi o pior da série histórica iniciada em 2012.

Por: Marcos Henrique
16/02/2017 às 18h32

 

Em dezembro, o volume de serviços cresceu 0,6%, na série livre de influências sazonais, sustentado, principalmente, pelo avanço de serviços prestados às famílias (+ 2,0%) e transporte (+ 0,4%). Por outro lado, evitou melhor desempenho do setor o recuo em serviços de comunicação (- 1,7%), administrativos (- 1,3%) e outros (- 1,2%). 

Na comparação com o último mês de 2015, o recuo foi de 5,7% para o agregado, pior resultado nesta comparação desde o início da medição, em 2012. O volume acumulado de serviços no ano de 2016 caiu 5,0% e confirmou a segunda queda consecutiva na série histórica, conforme gráfico em destaque.

A receita nominal, por sua vez, cresceu 0,5% em dezembro sobre o mês anterior, mas apresentou contração de 1,5% em relação a dezembro do ano anterior e uma virtual estabilidade (redução de 0,1%) no ano de 2016, o que denota violenta perda de faturamento em termos reais.

Dentre as principais contribuições negativas destacam-se os serviços de transportes que, na comparação entre dezembro/16 e dezembro/15 recuou 7,6%, com atenção especial ao transporte terrestre que sofreu contração de 10,4% no mesmo período. Conforme destacado em nota pelo IBGE, o setor é fortemente correlacionado com a indústria e, portanto, a recuperação dos serviços depende, de maneira geral, da recuperação da produção industrial.

No último trimestre do ano, em comparação com o mesmo período do ano anterior, o setor de serviços recuou 6,0%, demonstrando seu pior desempenho trimestral em 2016. Mais uma vez o destaque negativo foi o setor de transporte que, no 4º trimestre, recuou 9,5%. Apenas o transporte terrestre teve queda de 11,7% no período, o que corrobora a análise sobre a influência do papel da indústria neste resultado.

Neste sentido, ainda que haja relativa melhora nos indicadores de indústria, comércio e serviços no último mês do ano passado, as perspectivas para o período corrente são de moderada recuperação, com a atividade do setor de serviços mantendo-se estagnada neste ano. Espera-se, contudo, que o setor seja influenciado pela melhora do ambiente macroeconômico a partir da queda da inflação e recuperação das condições de crédito ao consumidor, além da estabilização da taxa de câmbio que contribuirá para as atividades ligadas ao turismo.

 

Economista e mestre em economia política pela PUC-SP. Tem experiência na área de economia política, atuando principalmente nos seguintes temas: seguridade social, políticas sociais, capitalismo financeirizado e economia brasileira contemporânea. Atuou em consultorias na área macroeconômica e ligadas a projetos de PPPs.

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