25 de Sep de 2017


Serviços recuaram em março

Projeção de queda é de 1,3% no fechamento de 2017.

Por: Fabio Silveira
12/05/2017 às 18h32

Em março, o setor de serviços no Brasil recuou 2,3%, na série com ajuste sazonal, interrompendo quatro meses consecutivos de variações não negativas. Foi o pior resultado para a série histórica iniciada em 2012. Desse modo, nos últimos 12 meses, os serviços acumularam declínio de 4,9%, o que nos levou a ampliar a projeção de queda do setor, em 2017, de 0,8% para 1,3%.

Todos os subgrupos encolheram em março: serviços prestados às famílias (- 2,1%); serviços de informação e comunicação (- 0,4%); serviços profissionais, administrativos e complementares (- 0,8%); transportes (- 1,1%); e outros (- 1,2%).

O desempenho negativo da indústria no mesmo mês (- 1,8%) contribuiu de maneira relevante para contração do setor de serviços, dada a forte correlação entre ambos.

Os serviços complementares continuam em baixa (- 0,8%), pois envolvem, por exemplo, serviços de engenharia ligados à área de petróleo e gás, que permanecem sob investigação das autoridades, por motivo de corrupção no setor.

Em comparação com março de 2016, houve baixa de 5%, acumulando uma redução de também 5% nos últimos 12 meses.

A perda de dinamismo dos setores de serviços, comércio e indústria em março demonstra que a recuperação da economia será muito lenta. Embora tenha exibido quedas menos acentuadas, a evolução do setor de serviços deverá ser irregular nos próximos meses, uma vez que o desemprego continua muito alto, prejudicando a formação de renda dos consumidores.

Além disso, os juros reais tendem a permanecer elevados, apesar da expectativa de declínio da taxa Selic, dificultando a expansão do crédito e o recuo do nível da inadimplência de empresas e famílias.


Mestre em economia pela Universidade de Grenoble (França) e pós-graduado pelo Instituto de Altos Estudos Internacionais e de Desenvolvimento de Genebra (Suíça). Economista formado pela USP. Foi superintendente de estudos setoriais e de investimentos do UNIBANCO, além de economista da Copersucar e do Senai. Atuou nas principais consultorias do país. Hoje é sócio-diretor da MacroSector Consultores.

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