16 de Dec de 2017


Superávit recorde da Balança Comercial em 2016

Resultado é o maior de toda série histórica.

Por: Eduardo Teixeira
02/01/2017 às 22h26

 

A Balança Comercial registrou em dezembro do ano passado um superávit de US$ 4,42 bilhões, bem inferior ao resultado observado no mesmo mês de 2015 (+ US$ 6,24 bilhões). Este desempenho é produto de exportações de U$ 15,94 bilhões (queda de 5% em relação a igual mês do ano anterior) e importações de US$ 11,52 bilhões (incremento de 9,30% frente a dez/15).

Apesar da retração do saldo de dezembro o Brasil alcançou em 2016 um superávit comercial de US$ 47,69 bilhões (o maior de toda série histórica, iniciada em 1989), mais do que 142% acima do verificado no ano de 2015 (US$ 19,7 bi). Infelizmente, esse resultado é explicado pela contração mais acentuada das importações que das exportações.  

As exportações montaram a US$ 185,24 bilhões, redução de 3,08% em relação ao ano precedente, impactadas pelo baixo dinamismo do comércio internacional, preço das commodities que exportamos e crescimento apenas moderado dos principais parceiros comerciais do país.

As importações, por seu turno, fecharam o ano em US$ 137,55 bilhões, com um declínio de 19,77%, por conta de: a) drástico recuo do PIB brasileiro (3,7% segundo nossa previsão); b) redução do preço médio (em US$) das commodities que importamos no mercado internacional; e c) desvalorização do Real.

Note-se que esse resultado comercial superou as expectativas de mercado (US$ 47,1 bilhões), e ficou ligeiramente abaixo das nossas previsões, que apontavam para um saldo de US$ 48,0 bilhões.

Na medida os números acima apresentados evidenciam uma diminuição adicional do fluxo de comércio, entendemos que o ajuste em referência, apesar de bem-vindo, é de má qualidade, exprimindo mais do que qualquer outro fator, a situação recessiva por que passa a economia do país.

De qualquer forma, esse expressivo resultado sustentou uma importante redução do déficit em Transações Correntes, que deve ter atingido US$ 22,50 bilhões (ou 1,26% do PIB), bem menor do que o observado em 2015 (US$ 56,87 bilhões ou 3,16% do PIB). Em verdade, as contas externas brasileiras apresentaram no ano passado seu melhor resultado desde 2007, quando as Transações Correntes registraram superávit de US$ 1,6 bilhões ou 0,1% do PIB.

Mesmo considerando os resultados acima, continuamos de momento mantendo nossas projeções para 2017, que apontam para um superávit comercial de US$ 43,0 bilhões, com exportações de US$ 193,0 bilhões e importações de US$ 150,0 bilhões, num contexto de estabilidade do PIB e inflação de 4,7%. Dessa forma o déficit em Transações Correntes mesmo crescendo (estimativa de US$ 29 bilhões), continuará sob controle e, o que é fundamental, será mais que compensado pela previsão de entrada de Investimentos Diretos Estrangeiros (US$ 78,0 bilhões), assegurando a tranquilidade no front externo mesmo com as esperadas mudanças da política econômica dos Estados Unidos, especialmente os anunciados incrementos das taxas de juros pelo FED.

Em resumo, a crise econômica brasileira não foi, como todos sabem, engendrada pelo setor externo, que também não pode ser responsabilizado pela sua duração e profundidade. Ademais, as previsões para o ano em curso nos permitem afirmar que tampouco será o setor externo um fator limitador para a recuperação econômica.

 

Autores: Eduardo Teixeira e Rafael Teixeira

Sócio-Diretor da Creta Planejamento; Economista e mestre em economia industrial pela UFRJ; Ex-Secretário Adjunto de Assuntos Econômicos do Ministério da Fazenda; Ex-Secretário-Executivo do Ministério da Economia; Ex-Presidente da Petrobras; Ex-Ministro da Infraestrutura; Ex-consultor da ONU; Foi membro do Conselho Fiscal do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal; Foi membro do Conselho de Administração da Petrobras, Banco do Brasil, Itaipu Binacional, ARSA e HRT Participações; Membro do Conselho de Administração de Aeroportos Brasil Viracopos S.A.; e Mais de vinte anos de experiência profissional na área de estruturação de projetos.

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