16 de Dec de 2017


Taxa de desocupação segue em queda

Atingiu 12,4% no trimestre encerrado em setembro

Por: Carlos Cavalcanti
31/10/2017 às 20h13

Pelo sexto mês consecutivo, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do IBGE, indicou que o desemprego recuou. De acordo com a PNAD Contínua, o resultado do trimestre móvel terminado em setembro foi 0,6 p.p. inferior em relação ao trimestre anterior (encerrado em junho) e subiu exato 0,6 p.p. em comparação a igual trimestre de 2016, quando a taxa foi estimada em 11,8%. Igualmente para cima, comportou-se a massa de rendimento real, que apresentou incremento de 1,4% e de 3,9%, respectivamente, para os períodos anteriormente mencionados.

Apesar de instável e gradual, a recuperação da atividade econômica tem permitindo alguma melhora no mercado de trabalho. Desde o primeiro trimestre do ano, quando a taxa atingiu o nível recorde de 13,7%, observa-se progressiva queda do contingente de desempregados. Estima-se que havia aproximadamente 13,0 milhões de pessoas sem ocupação no período entre julho e setembro desse ano. Em relação ao trimestre anterior, tal contingente representou queda de 3,9% (524 mil pessoas). Comparado ao primeiro trimestre de 2017, representa baixa de 8,6% (1.215 mil pessoas). Todavia, contabilizou-se aumento de 7,8% em relação ao mesmo trimestre de 2016, quando havia cerca de 12,0 milhões de trabalhadores em busca de recolocação.

Em contrapartida à queda da desocupação, o contingente de indivíduos ocupados atingiu 91,3 milhões no período, implicando em um aumento de 1,2% frente aos meses de abril a junho e de 1,6% na comparação com igual trimestre de 2016.

O aumento do volume de pessoas empregadas decorreu do crescimento das contratações, na comparação trimestral, nos grupamentos de Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (2,4% ou mais 410 mil pessoas), Alojamento e Alimentação (12% ou mais 562 mil pessoas), Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas (5,1% ou mais 488 mil pessoas) e Outros serviços (5,0% ou mais 214 mil pessoas). Por sua vez, as atividades que mais dispensaram trabalhadores no período em tela foram Agricultura, Pecuária, Produção Florestal, Pesca e Aquicultura (-4,4% ou menos 400 mil pessoas) e Construção (-3,8% ou menos 268 mil pessoas).

Em síntese, percebe-se sensível melhora no mercado de trabalho. Há, no entanto, um aspecto crítico nessa história. O menor número de profissionais desocupados é fruto do aumento da informalidade e da opção pelo trabalho por conta própria. No caso dos que trabalham para o setor privado sem carteira assinada, verificou-se incremento de 6,2% (mais 641 mil pessoas) em comparação ao trimestre de julho a setembro do ano passado e para os trabalhadores por conta própria, variação positiva de 4,8% (mais 1,1 milhão).

Em outras palavras, as contratações formais ainda não vieram, ao contrário, houve queda de 2,4% até setembro frente a igual período de 2016. As razões estão simbolizadas: i) no escasso volume de investimentos, já que a capacidade ociosa da indústria ainda se encontra elevada (cerca de 35%); ii) no patamar de consumo que não retornou aos níveis pré-crise, e; iii) na busca por uma melhor compreensão das alterações promovidas na CLT pela recém aprovada reforma trabalhista.


Economista com pós-graduação pela Unicamp. Foi responsável pela área de economia do CIESP (2005-2007) e assessor da Presidência da ABINEE entre 2007 e 2016. Atualmente dirige a assessoria de economia do Sindipeças e é colaborador do EH.

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