24 de Nov de 2017


Tesouro nacional: péssimo desempenho em março

Desequilíbrio fiscal continua sendo perigoso foco de atenção.

Por: Geraldo Biasoto
28/04/2017 às 19h37

O mês de março veio confirmar que as contas fiscais brasileiras ainda estão longe do razoável. O déficit mensal foi de R$ 11,1 bilhões, bem superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior, R$ 8,2 bilhões, a valores de março/17. No trimestre, o déficit acumulado chegou a R$ 18,9 bilhões, algo como 1,2% do PIB.

Não resta dúvida de que a receita é, ainda, o grande entrave a uma melhoria fiscal. Tomando a receita líquida de transferências, na comparação entre março de 2017 e março do ano passado, verificou-se queda real de 1,4%. Já na comparação entre o primeiro trimestre de 2017 com o do ano anterior, houve queda real foi de 5,0%.

A despesa de março mostrou um padrão de comportamento que deverá ser a tônica do ano. Por um lado, existe pressão dos benefícios previdenciários, já que estes apresentaram elevação real de 3,8% frente ao mesmo mês do anto anterior. Por outro, há dificuldade em barrar pressões de pessoal por longo tempo, uma vez que os gastos com pessoal e encargos subiram 7,4%, em termos reais, sobre o mesmo período de 2016.

Em compensação, o governo vai tentando barrar a máquina pública. As outras despesas de custeio diminuíram 1,4%, frente ao mesmo mês de 2016. Já as despesas de capital, na mesma base de comparação, apresentaram o expressivo declínio de 41,5%.

Os próximos meses deverão narrar uma história de forte controle dos gastos de custeio e capital, dada a pressão da previdência e dos gastos de pessoal, com foco no cumprimento da Emenda do Teto de Gastos. Mas, mesmo que este último seja cumprido, ainda restará o rombo derivado da forte crise que assola as receitas tributárias federais.

Professor de economia da Unicamp

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