24 de Mar de 2019


Varejo cresce mais em 2019, mas não atinge volume de 2014

Taxa de câmbio alta pode prejudicar o setor

Por: Fátima Fernandes
12/12/2018 às 10h26

 

Por Fátima Fernandes em Portal Varejo em Dia


Presidente definido, Jair Bolsonaro, e com intenção de fazer as reformas que o país precisa, como a da Previdência. Inflação sob controle e taxa de câmbio sem grandes sobressaltos.

Nesse cenário de final de 2018, como fica o varejo em 2019?

Melhor do que em 2018, na avaliação de Fábio Silveira, sócio-diretor da MacroSector Consultores, só que não deve atingir o volume de vendas de 2014.

Para ele, o varejo cresce perto de 2,5% em 2018 e 3% em 2019. Por quê?

A massa real de salários cresceu perto de 2,2% neste ano e deve manter trajetória de crescimento no ano que vem.

“A taxa de crescimento do pessoal ocupado, de 1%, é modesta frente à necessidade de absorção dos desempregados (de cerca de 13 milhões de pessoas), mas ainda é positiva”, diz.

É fato que o emprego informal tem ganhado força nos últimos anos. “Por isso, é ruim do ponto de vista da arrecadação, mas quem está na informalidade tem alguma renda para gastar.”

Em 2018, cerca de um milhão de pessoas ingressaram no mercado de trabalho. O número de ocupados subiu de 90,5 milhões para 91,6 milhões de pessoas.

O rendimento médio desses ocupados aumentou 1,5%, no período, de acordo com o IBGE.

“O crescimento de 2,2% da massa, portanto, sustentou o crescimento do varejo neste ano e deve sustentar no ano que vem”, afirma Silveira.

Se o rendimento cresce pouco, mas cresce, assim como a informalidade, os lojistas precisam estar preparados para atender esses consumidores.

“Os comerciantes precisam se equipar de tecnologia para facilitar o processo de compra de mercadorias e venda, sem correr riscos. É preciso cuidar muito bem da gestão do negócio”, diz.

É bom o lojista ficar atento com os indicadores inflação e dólar. “O que influencia a inflação, em grande medida, é a taxa de câmbio, que deve continuar estressada”, diz.

Esse estresse, na avaliação de Silveira, é resultada das discussões que devem ocorrer em torno das reformas da Previdência.

A idade mínima para se aposentar e o desiquilíbrio de privilégios entre os aposentados dos setores público e privado são alguns dos pontos mais polêmicos.

No ambiente externo, o que pode ter reflexos no Brasil é o aumento da taxa de juros nos Estados Unidos e as escaramuças entre os EUA e a China.

“Se a taxa de câmbio é jogada para cima, os preços de bens e serviços sobem e isso mantém a inflação alta, o que pode prejudicar o crescimento do mercado brasileiro”, diz.

Para Silveira, a inflação deve ficar entre 4% e 4,5% em 2019.

Jornalista especializada em economia, negócios e varejo

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