25 de Sep de 2017


Varejo diminuiu 0,2% em fevereiro

Nova queda da massa real de salários em 2017 inibirá a retomada das vendas.

Por: Fabio Silveira
12/04/2017 às 20h19

Em fevereiro, o volume de vendas do varejo, segundo o IBGE, recuou 0,2% em relação a janeiro, na série com ajuste sazonal. Frente a fevereiro do ano passado, houve queda de 3,2%; e, em 12 meses, o indicador acumulou declínio de 5,4%.

Ainda no tocante à serie com ajuste, cabe destacar que o referido instituto público de pesquisa revisou os dados de janeiro, que passaram de baixa de 0,7% para crescimento de 5,5%. Trata-se de uma alteração metodológica importante, pois implicará na melhora da projeção do PIB deste ano, entre outros efeitos.

Por segmento do varejo, no referido mês de fevereiro, observou-se declínio em 3 das 8 atividades pesquisadas. Os destaques negativos foram: a) hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (- 0,5%); b) equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (- 1,5%); e c) outros artigos de uso pessoal e doméstico (- 1,8%).

Por outro lado, verificou-se melhora do nível de atividade de: i) móveis e eletrodomésticos (+ 3,8%); ii) tecidos, vestuário e calçados (+ 1,5%); iii) livros, jornais, revistas e papelarias (+ 1,4%); iv) artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (+ 1,0%); e v) combustíveis e lubrificantes (+ 0,6%).

O varejo ampliado, por sua vez (que além dos segmentos acima, inclui os de veículos, motos, partes e peças e material de construção), o volume de vendas cresceu 1,4% frente a janeiro, na série ajustada sazonalmente. E, em comparação com fevereiro do ano passado, apresentou queda de 4,2%; e, nos últimos 12 meses, sofreu retração de 7,5%.

Nessas condições, diante do maior fôlego exibido por segmentos relevantes na dinâmica do varejo brasileiro (como combustíveis e lubrificantes e tecidos e vestuários) e da mudança de método de cálculo de seu desempenho, a projeção de variação do volume de vendas do setor, em 2017, foi majorada de estagnação (0,0%) para crescimento de 1,0%.

Alguns fatores tendem a contribuir nesse sentido:

  • Trajetória declinante dos juros reais;
  • Retomada (suave) do crédito ao consumidor, em termos reais, no segundo semestre; e
  • Crescimento (lento) do endividamento das famílias.

Em contrapartida, os seguintes motivos deverão impedir evolução mais favorável do comércio neste ano:

  1. Manutenção da taxa de desemprego em patamar elevado; e
  2. Nova retração da massa real de rendimento (- 1,0%).

Mestre em economia pela Universidade de Grenoble (França) e pós-graduado pelo Instituto de Altos Estudos Internacionais e de Desenvolvimento de Genebra (Suíça). Economista formado pela USP. Foi superintendente de estudos setoriais e de investimentos do UNIBANCO, além de economista da Copersucar e do Senai. Atuou nas principais consultorias do país. Hoje é sócio-diretor da MacroSector Consultores.

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