16 de Dec de 2017


A vitória de Pirro de Macron

Legislativas vão dar o tom do governo.

Por: Roberto Nemr
08/05/2017 às 12h25

 

É bom colocar um grão de sal na vitória de Monsieur Macron à presidência francesa. Se, de um lado, mostrou ainda haver uma barreira forte na população gaulesa à extrema direita, não esqueçamos que foi o maior placar já alcançado pela Frente Nacional, o partido da senhora Le Pen. No frente-a-frente com Chirac, em 2002, o seu pai perdeu por um placar bem mais folgado, de 80%. Ou seja, em 15 anos, a Frente Nacional dobrou o eleitorado, que é exatamente o período do euro. Lembremos também que ele se beneficiou de uma recuperação cíclica na economia, que vem desde o final do ano passado e sempre ajuda o Centro.

Apesar disso, a esquerda tradicional perdeu votos em relação à esquerda radical do senhor Mélenchon. Seus eleitores, que totalizaram quase 20% no primeiro turno, devem quase totalmente ter se encaminhado para Mr. Macron, mais por rejeição a Le Pen do que por qualquer chance de alinhamento ideológico. Então, por baixo, o senhor Macron vai começar com uma oposição majoritária de pelo menos 55% do eleitorado francês.

Se quiser colocar em prática seu plano de reforma trabalhista e previdenciária, exclusão de privilégios do setor público, demissão de funcionários e redução de carga tributária para empresas, para - segundo ele - baixar o desemprego de 10% para 7%, deverá enfrentar forte resistência no Congresso, pois seu partido nanico não tem representatividade, o que deve aumentar em junho, mas não a ponto de lhe dar maioria.

Os franceses não estão dando carta branca ao Senhor Macron. Estão rejeitando os partidos tradicionais (Socialista e Direita), mas deram um terço dos votos para a ultra-direita e um quinto no primeiro turno para a ultra-esquerda. O equilíbrio do senhor Macron, apesar da aparência impecável e discurso conciliador (palavras, palavras, palavras...) será, quando muito, precário, mas talvez a última chance política do Euro.

Economista formado pela Universidade de São Paulo (USP) e consultor de investimentos para os mercados brasileiro e latino americano. Ex-diretor de portfólio para América Latina do Banco Itaú. Foi diretor geral da Genesis Investment Management.

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